8 conselhos de bacharéis em biotecnologia que os futuros biotecnologistas merecem receber antes de se formar

Depois de ouvir alguns “não” em processos seletivos, começamos a procurar o que traria a tão desejada resposta “A VAGA É SUA!”. Lemos muito, conversamos com diversas pessoas – de colegas efetivados a pessoal de RH, e aprendemos muito no dia-a-dia dentro de uma empresa, auxiliando na avaliação de perfis. Com o intuito de ajudar mais colegas em busca de uma carreira em biotecnologia, resolvemos compartilhar com vocês alguns conselhos que gostaríamos de ter ouvido antes da nossa formatura e que achamos que podem fazer a diferença na carreira de vocês. Confira o material que separamos especialmente para os leitores do Profissão Biotec.

Importante: Queremos apenas compartilhar o que aprendemos e, talvez ajudar quem está tentando se encontrar, então nossas dicas não são regras! As dicas são focadas em quem está na graduação, mas também se aplicam no caso de você ser um pós-graduando em Biotecnologia.

1. Quanto antes começar, melhor!

Nos primeiros anos da graduação ainda estamos meio perdidos, aprendendo a lidar com as demandas da faculdade e (muitas vezes) de morar sozinhos, longe da família. Acabamos de decidir qual curso de graduação começar e escolher o que fazer depois de formado parece algo tão distante… Mas nunca é cedo demais para iniciar o caminho de autoconhecimento que vai te ajudar a definir sua carreira!

Bom, se você está lendo este texto, é porque deu o primeiro passo no caminho. Você está buscando fontes para ir além e isso, com certeza, faz toda a diferença!

2. Experimente

Carreira acadêmica ou corporativa? Bioinformática ou fermentação? As dúvidas são muitas e as opções, mais diversas ainda. Até já listamos 9 possibilidades de carreira para um biotecnologista.

Aproveite para experimentar. Depois de formado fica mais difícil (mas não impossível) mudar de área, então aproveite o período da graduação para experimentar e conhecer as áreas que você tem interesse.

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Se jogue!

Como fazer isso? Converse com professores que trabalham no segmento de interesse, peça para acompanhar um experimento ou dia de trabalho. Demonstre interesse sobre o que gostaria de conhecer na prática, normalmente os professores são muito receptivos, não tenha medo de conversar com eles! Não precisa assinar nenhum contrato ou começar uma iniciação científica (IC) logo de cara, apenas conheça a rotina e veja se é isso que faz seu coração bater mais forte.

Se você tem dúvida sobre qual caminho seguir, Academia x Empresa, a dica é: tente fazer ao menos uma IC e um estágio durante a graduação. Assim, você terá experiência em ambos, mais conhecimento para decidir e mais currículo para o futuro.

Lembre-se: é mais fácil (mas não é garantido) ser efetivado logo após um estágio do que ser contratado sem nunca ter passado por uma empresa. Caso opte pelo mestrado, ter feito IC e até mesmo o estágio é um diferencial, mas não é um requisito obrigatório. A sugestão aqui é optar pelas duas experiências!

3. Busque autoconhecimento

Além de conhecer diversas áreas de trabalho, uma outra maneira de descobrir qual carreira melhor se encaixa com seu perfil é buscar autoconhecimento e refletir sobre suas habilidades e seus valores.

Como fazer isso? O Profissão Biotec destacou 8 ferramentas para potencializar seu desenvolvimento e criou uma série de vídeos para te ajudar a entrar no caminho do autoconhecimento. Mas lembre-se: os resultados dos testes de personalidade não são verdades absolutas, são apenas ferramentas para que você possa refletir e entender o seu perfil.

4. Atue fora da casinha

Dedique-se a atividades fora de seu meio para o desenvolvimento de habilidades do tipo soft skills: escrita, comunicação, organização de eventos e trabalho em equipe são muito valorizadas no momento da seleção de currículos. Neste contexto, atividades em projetos de extensão, centro acadêmicos e voluntariados podem fazer a diferença.

Uma boa dica é avaliar quais são os valores de uma empresa para a qual você gostaria de trabalhar e, então, se dedicar a atividades que se liguem ao contexto de valores dela. O diretor executivo contribui para projetos de educação? Você se identifica com isso? Então por que não trabalhar como educador voluntário? Ao ajudar nas lições de casa de crianças em orfanatos, além de trazer uma satisfação pessoal, te possibilita ajudar alguém, o que demonstra que você possui valores parecidos com os da empresa onde quer trabalhar.

Existem organizações que buscam formar líderes, como  a AIESEC, que podem ser um meio de contato com pessoas de outros cursos, oferecer aprendizado, networking, e crescimento pessoal e profissional. Além disso, existem as empresas juniores, que agregam pessoal e profissionalmente, através dos desafios enfrentados. Você pode conferir um pouco melhor o que são e como elas funcionam neste vídeo.

Queremos mostrar que a faculdade não é tudo, pois são inúmeros colegas/concorrentes que irão se formar com a mesma bagagem que a sua. Se você quer se destacar, faça a diferença e não espere que o curso te forneça todas as armas para enfrentar o mercado de trabalho.

5. Converse, converse e converse: o famoso networking

Networking é a palavra do momento, mas realmente é muito útil. Há quem diga que é tudo! Como assim?

Atuar “fora da casinha” já facilita ampliar a rede de contatos e isso pode ser crucial para sua trajetória profissional. Além disso, converse com seus veteranos sobre suas dúvidas ou pergunte sobre as experiências deles. Quando nos formamos, por sermos as primeiras turmas, nos sentíamos perdidas durante a fase de graduação e não tínhamos referência para nos inspirarmos. Agora, em 2017, temos várias turmas de biotecnologistas formados e isso não é mais um problema. Seus veteranos provavelmente já passaram por dinâmicas de processos seletivos e podem te dar dicas úteis. Ou podem estar trabalhando numa empresa que você nunca ouviu falar, num cargo totalmente diferente, e podem te inspirar com suas trajetórias.

Para conhecermos um pouco mais sobre os biotecnologistas que já estão no mercado de trabalho e onde atuam, o Profissão Biotec criou o projeto #SouBiotecnologista.

Seus colegas de classe não são seus inimigos. Mesmo que possam ser seus concorrentes para algumas vagas, eles podem te trazer uma luz quanto às possibilidades que você pode buscar, dar dicas de processos seletivos que você não estava sabendo, dar uma carona até a empresa em que vocês farão a dinâmica e, até mesmo, uma indicação futura caso algum deles seja admitido!

Seus professores também são ótimas fontes de sugestões, ainda que estejam imersos no meio acadêmico. Por serem referência em determinada área de estudo, muitas empresas podem entrar em contato com eles, podendo até mesmo já ter projetos em parceria. Alguns funcionários dessas empresas podem ter sido ex-colegas e/ou ex-alunos dos seus professores. Que tal se informar e aproveitar esta ponte?

Os grupos no Facebook e no LinkedIn também são uma excelente fonte de conexões, divulgação de vagas e discussões sobre mercado de trabalho e trajetória. O Profissão Biotec sempre publica vagas e dicas, então vale a pena ficar antenado! Além disso, no grupo da LiNA sempre há discussões bacanas de participar.

6. Não precisa cumprir o currículo padrão do curso

Sim, você não precisa fazer a faculdade no tempo mínimo, tirar 10 em todas as matérias ou ganhar estrelinhas no caderno. Se surgirem oportunidades, aproveite-as!

Seja diferente, seja o pioneiro!

Faça intercâmbios, estágios e cursos, mesmo que isso possa adiar sua formatura. Mas lembre-se, as oportunidades não costumam cair do céu, fique sempre atento e pesquise os editais que sejam do seu interesse. Neste caso, o networking também ajuda, pois seus colegas, sabendo dos seus interesses, podem te encaminhar oportunidades.

7. Nunca pare de estudar

Mantenha-se atualizado na sua área para não ser pego de surpresa em uma entrevista e, até mesmo, para entender as tendências do mercado!

Além de revistas científicas, existem diversos sites interessantes sobre ciência e inovação: Profissão Biotec e Nature Reviews (em inglês). Páginas de Facebook como Movimento Biotecnologia Brasil, Biotech Space, Ciência Informativa e do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação costumam divulgar notícias nas áreas de biotecnologia e ciência.  

A internet também está repleta de sites com cursos bons e gratuitos para complementar a sua formação em áreas que vão desde a biotecnologia até o empreendedorismo e administração. Alguns exemplos:  Coursera, SEBRAE, Linkedin Learning, USP.  Confira nosso texto com 6 cursos online gratuitos sobre gestão.

Falando em cursos, saber um segundo idioma é muito importante em qualquer área que escolha seguir.  Domine o inglês, ou ele irá te dominar! As universidades costumam oferecer cursos de idiomas que são gratuitos ou de baixo custo. Saber se comunicar em outros idiomas, especialmente o inglês, é  essencial e costuma ser pré-requisito em muitos processos seletivos, então prepare-se!  Existe também o curso gratuito Idioma sem Fronteiras, do Ministério da Educação (MEC), com aulas online de inglês ou presenciais deste e de outros idiomas.

8. Corra atrás da sua vaga

Seguindo a linha que destacamos nos tópicos anteriores, após ter refletido em seus objetivos e conhecido a área que mais te interessa, é necessário preparar-se para atuar nela após sua conclusão de curso.

Aqui a dica é a seguinte:  se você gostaria de trabalhar como responsável técnico em uma cervejaria, uma forma de se preparar é trabalhar com microbiologia, fermentação, fazer cursos de produção de cerveja e controle de qualidade. Busque estágios em cervejarias, mesmo que voluntários, ou mesmo uma visita técnica, apenas para conhecer e fazer contatos. Até, quem sabe, produzir sua própria cerveja.

Mas como avaliar se há oportunidades na área de interesse? Busque por empresas que trabalham com o setor e veja quais as vagas disponibilizadas por eles, observe com que frequência são oferecidas. Você pode tentar contatar profissionais que trabalham na empresa por meio  do LinkedIn e procurar saber como é o processo seletivo, quais as áreas que mais contratam. A tendência é que as pessoas sejam muito receptivas, mas não desista se alguém não te retornar, procure outra pessoa, alguém irá te responder! Vale a pena estudar o perfil dessas pessoas, conforme falamos no tópico 4: entenda como a pessoa chegou ao cargo de interesse, para se inspirar em sua trajetória.

Seja autêntico e fiel a si mesmo! Não adianta embarcar nessa de preparar seu histórico e currículo para entrar em uma vaga que você não gosta. Como já dissemos e queremos frisar, é importante se identificar e apostar naquilo que você acredita! Dito isto, que tal estruturar o currículo? Aguarde nosso próximo texto, siga o blog e as redes sociais do Profissão Biotec no Facebook e Linkedin para não perder!

 

Texto feito em co-autoria. Jéssica participa da avaliação de perfis na empresa em que trabalha, a Regenera Moléculas do Mar, e Natália é mentora voluntária de currículo e carreira no Projeto Joule.

3 comentários em “8 conselhos de bacharéis em biotecnologia que os futuros biotecnologistas merecem receber antes de se formar

  1. Eu sinceramente me identifiquei muito com as dicas. Estou no 4° período de Biotecnologia. Um dia quando eu me formar, quero atuar na área da Química de Produtos Naturais, no momento tenho dois projetos com a minha orientadora na área, amo o que faço, sou apaixonada pelos produtos da minha Amazônia e por isso decidir trabalhar com isso e sempre procuro saber mais sobre essa área com a minha orientadora, as vezes passamos horas conversando sobre isso e é muito bom saber que tem uma pessoa que te apoia em tudo, eu acho isso muito importante para nós universitário, eu quando comecei a estudar, eu não acreditava em mim mesma achava que eu não era capaz, minhas notas era sempre o suficiente para mim passar e me achava péssima por causa disso, quando eu fui para o 3 período vi que tudo que tava acontecendo comigo era uma maré que logo ia se abaixar, me acalmei e procurei a fazer o que mais me interessava no meu curso, resultado: me apaixonei por Química. Que era uma coisa que eu mais odiava.
    E ler tudo isso me faz pensar e também me apaixonar ainda mais pela minha área, hoje eu sei que é isso que eu quero levar daqui pra frente. E um dia me tornar uma profissional, não conhecida, mas capacitada naquilo que eu quero e com todos os conselhos da minha orientadora e também da minha família, eu me sinto capaz de enfrentar muita coisa quando me formar, eu acho que é isso que faz ser um bom profissional, na realidade um diferencial em um profissional.

    1. Ficamos felizes em saber que gostou do texto! Ter um orientador bacana que realmente “oriente” é muito bom!
      Aproveite todas essas oportunidades e ficamos torcendo pelo seu sucesso!
      Abraço.

  2. Agora com 3 anos de formada e olhando pra trás é mais facil de ver o que aconteceu e entender as coisas. Quando fui falar com aquele professor sobre fazer um estágio e atrasar a faculdade, e ter sido completamente desmotivada a isso, eu só consegui chorar logo que saí da sala dele. Então eu fui conversar com outros professores, que me disseram que a empresa era bastante reconhecida, e ainda me deram dicas sobre a dinâmica de grupo. Resultado: fui ao processo seletivo! Passei? Não, mas isso é assunto para outro texto hehe. Mas o importante é que nao me deixei abalar pela opinião tosca daquele professor.
    Ontem, conversando sobre isso, pude ver que nem todos os professores estão preparados para exercer seu papel de formador de pessoas, sejam elas para a pós-graduação, ou para o mercado de trabalho. Então conversem com várias pessoas e tirem as suas próprias conclusões.
    Outra coisa que consigo enxergar hoje é que acho que fiquei esperando pelo momento da graduação que seria apresentada às empresas onde poderia trabalhar, fazer estágio, e isso não aconteceu! E fui conhecer esse ambiente somente depois de formada, quando não poderia mais ser estagiária. O que diria para os graduandos é que comecem a buscar por empresas durante o curso, pois, ao meu ver, a faculdade está mais interessada em formar pessoas para a pós-graduação do que para o mercado de trabalho.

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