As 5 tendências em biotecnologia que você deve ficar de olho

Matt é um estudante de Biotecnologia que está começando seu primeiro ano, em 2025. Ao frequentar suas aulas, percebe que terá muito contato com eletrônica, computação, impressão 3D, nanotecnologia e design, ficando confuso. Não entende porque todas aquelas diferentes matérias e logo procura o coordenador de curso para tirar algumas dúvidas.

O coordenador diz a ele que, quando se formou em Biotecnologia no começo do século XXI, o curso não tinha metade daquelas disciplinas, e que as profissões vão mudando de acordo com as necessidade da sociedade. Para resolver os problemas que surgem, cada vez mais é necessária a fusão de diferentes áreas do conhecimento, a chamada transdisciplinaridade.

Após essa conversa, Matt olhou sua grade de disciplinas e pensou em quantas possibilidades poderia ter de utilizar aqueles conhecimento ao longo de sua graduação. Essa cena não está tão longe assim de acontecer. Se você observar, as tecnologias combinam cada vez mais as áreas do conhecimento e necessitamos de profissionais que saibam lidar com essa interface.

Matt anota todas as possibilidades.
Daqui para frente

Diante dessa cena, e observando as tecnologias ao nosso redor, o Profissão Biotec decidiu elencar cinco tendências que já estão ocorrendo e que vão impactar mais e mais a biotecnologia.

Confira logo abaixo:           

1. Automatização

Várias áreas já sentem o impacto da automatização, e com a Biotecnologia não está sendo diferente.

Vejamos uma famosa situação que ocorre durante exames médicos: poucas pessoas gostam de tirar sangue, sofrendo com essa situação.

Para minimizar este problema, pesquisadores desenvolveram um robô para auxiliar a retirada do sangue. Analisando a imagem obtida por ultrassom e com um sensor de temperatura, o aparelho consegue localizar a veia com precisão e retirar somente a quantidade de sangue necessária para o teste.

Outra possibilidade dentro da automação é a diminuição do tempo e a logística para exames laboratoriais, com a capacidade de realizar o teste em casa ou mesmo no consultório médico. Esse conceito é chamado de point-of-care (próximo ao paciente, em tradução livre) e tem como objetivo estarem na rotina dos pacientes, com resposta rápida e confiável.

Nesse quesito, uma empresa brasileira vem chamando a atenção ao lançar seu produto no mercado. A Hi Technologies desenvolveu o Hilab, mostrando como pode ser simples fazer um exame: um dispositivo que fica no consultório médico usa apenas uma gota de sangue para digitalizar as informações do hemograma, as quais ficam online para que especialistas em outro local as analisem e emitam os resultados em poucos minutos.  

Cue.me é uma proposta de dispositivo que faz várias análises no conforto de casa, mas ainda não foi lançado.
2. Diminuição da escala

Com o avanço da nanotecnologia , várias formas de tecnologias são criadas, tanto que o foco é otimizar os reagentes e o tempo para experimentos em biotecnologia. Por isso, a diminuição da escala acontece cada vez mais e, como exemplo, temos a tecnologia Lab-on-a-chip, que permite realizar diversos experimentos com cultivo celular em um chip de alguns centímetros.

Tecnologia Lab on a chip.
3. Biomimetização

O design funcional tem se aproximando diariamente da Biotecnologia. É perceptível como o design busca inspirações na natureza para dar formas e melhorar a usabilidade das tecnologias. Logo, o uso da biomimética, vem ganhando espaço e, com isso, observamos tecnologias que permitem uma utilização mais próxima da realidade.

Biomateriais

Dentro da biomimética temos os biomateriais, que possibilitam criar estruturas utilizando compostos biológicos que são decompostos pela natureza normalmente. Como exemplo, temos os bioplásticos, que podem ser utilizados para diversos tipos de embalagens. Um bioplástico que ficou muito famoso na internet foi o feito a partir de amido de mandioca, o qual pode ser utilizado como sacolas e copos.

Exemplo de biomimética: trem-bala inspirado no bico do pássaro martim-pescador.
4. Construção em nível molecular

Com o advento da manipulação de átomos, a manipulação de células é utilizada também para a construção de tecidos e órgãos por bioimpressão. Essa tecnologia torna possível criar sistemas complexos e funcionais, de peles impressas até carne cultivada em laboratório.

Estamos um pouco distante de termos uma impressora que utiliza células em casa, porém com recentes avanços das pesquisas com impressão de órgãos, o futuro promete que você não precisará mais ficar na fila de implantes: Será coletada apenas uma célula sua e seus órgãos serão impressos sem riscos de rejeições. Além disso, com o domínio da técnica de CRISPR, temos uma ferramenta molecular para “recortar e colar” o DNA: a manipulação do DNA.

Impressora de pele humana.
5. Transdisciplinaridade

Já foi-se o tempo em que o conhecimento ficava separado em caixinhas bem definidas. De agora em diante, a conexão das áreas vai acontecer cada vez mais. Esse fenômeno se chama transdisciplinaridade e muda a forma de atuação da Biotecnologia. Agora ela possui elementos eletrônicos, físicos e químicos para criar produtos e processos mais completos, que podem dar liberdade para o usuário.

Ilustração esquemática da transdisciplinaridade.

Portanto, sugiro para você estudante, profissional ou curioso em biotecnologia, que fique de olho nessas tendências e que se prepare, pois as mudanças cada vez estão mais aceleradas e disruptivas.

E aí qual seu palpite para as próximas tendências da biotecnologia?