Carnaval 2018: como se divertir sem agredir o meio ambiente?

O Carnaval tá batendo na porta, já tá todo mundo pronto pra se encher de glitter e todos aqueles adereços típicos para curtir a folia. Mas você sabe de onde vêm e pra onde vão esses materiais? E que alguns deles agridem o meio ambiente de forma drástica? Como sabemos que você é um bom folião mas também se preocupa com a natureza, trouxemos algumas dicas e alternativas de produtos pra curtir essa semana sem peso na consciência!

1. Glitter e os microplásticos

No ano passado, o problema dos microplásticos (pequenas partículas que variam de 1 a 5 milímetros, provenientes principalmente do despejo inadequado de produtos plásticos no meio ambiente) no oceano foi noticiado diversas vezes, tentando alertar as pessoas sobre esse poluente que, embora seja invisível a olho nu, parece ter um grande potencial de destruição (1,2,3).

Além da poluição evidente, a presença dessas partículas traz uma questão ainda mais preocupante! Algumas pesquisas (4,5demonstraram que existe uma alta afinidade desse material com poluentes orgânicos, metais pesados e pesticidas, por exemplo. Desta forma, os microplásticos acabam sendo ingeridos por animais menores e se acumula ao longo da cadeia alimentar, podendo chegar na mesa das nossas casas!

Partículas de poliestireno com menos de 50 nanômetros de comprimento (em verde claro fluorescente) dentro de um plâncton de água doce. Organismos planctônicos como esse formam a base da cadeia alimentar marinha.

Em 2017 foi realizada uma pesquisa a nível mundial cujo resultado mostrou que a contaminação tomou proporções tão grandes a ponto de estar presente na água encanada dos cinco continentes habitados do planeta, numa prevalência que varia de 72 a 94% por região (6).

Pensando nisso, o número de empresas brasileiras com o propósito de um carnaval mais ecológico e sustentável aumentou desde o ano passado! O glitter ecológico é feito com insumos biodegradáveis que variam de uma marca pra outra; dentre eles, podemos encontrar celulose, algas, pó de rochas e muito corante alimentício!! Dessa forma, o produto pode ser utilizado sem problemas e pode ser facilmente retirado do corpo com água e sabão, sem prejudicar ninguém! Como exemplos de lugares para comprar o brilho, temos a Pura Bioglitter, a Viva Purpurina e a Glitter Ecológico, a Brilhow  e Glitra Bio!

Para quem estiver na cidade de São Paulo, a prefeitura disponibilizou um chuveirão de glitter ecológico gratuito no Largo da Batata, na avenida Brigadeiro Faria Lima – Pinheiros.
Mais informações você encontra aqui!
2. Pó de Holi Festival

Sabe aqueles pós utilizados nos chamados Holi Festivals, ou “Festival das Cores”? Eles podem ser usados sem problemas e você ainda pode fazer em casa! Para a produção só é necessário amido de milho, água, corante alimentício e utensílios básicos de cozinha, como você pode conferir nesse vídeo! Você inclusive pode utilizá-los para substituir aqueles sprays coloridos, evitando levar garrafas para o circuito da folia!

3. Confete natural

Outra alternativa que você pode aderir ainda esse ano é a utilização de confetes sustentáveis. Pode parecer cansativo mas, além de ser bem fácil de fazer, reduz a quantidade de material não reciclável no chão e, consequentemente, na natureza. Para isso, você pode utilizar folhas e pétalas secas de plantas e flores (pegue o que já está no chão, não é sustentável se você tiver que depenar uma árvore pra isso!) e um furador de papel. O legal é que com aqueles furadores de formatos especiais como corações, quadradinhos e estrelas o resultado fica bem legal e diferente daqueles que vendem por aí.

Confete feito a partir de folhas secas, utilizando cortador de papel de diferentes formatos. Fonte: Instagram.
4. Produtos descartáveis

Você está careca de saber – e nós até já noticiamos aqui no PB – que o descarte dos plásticos em geral é um problema gigantesco e mundial! Inclusive explicamos como a biotecnologia pode nos ajudar a resolver isso com a ajuda de bactérias e fungos, além de divulgar uma competição da Organização das Nações Unidas para erradicar esse problema. A questão é que, embora fantástica, a biotecnologia não pode fazer mágica.

Sabe aquela latinha de cerveja, energético, refrigerante, o copo plástico e a embalagem do lanche? Jogue no lixo, por favor! Muitas pessoas, na hora de descartar um produto indevidamente, pensam “ah, é só um”… mas o que aconteceria se todo mundo pensasse assim? A gente sabe que no meio da folia e do empurra-empurra nem sempre é fácil encontrar uma lixeira por perto, mas é mais difícil ainda recolher essa sujeira toda depois (principalmente no litoral) e acaba sobrando pro meio ambiente. Por consequência, nos prejudicamos também. Então que tal fazer uma forcinha e começar a segurar o lixo (vale até deixar uma sacola plástica na bolsa e guardar lá) até o descarte adequado?

Fundo do mar na praia da Barra, em Salvador, após o carnaval de 2010.

Só na região marinha que beira o trajeto dos trios elétricos de Salvador, no ano passado, foram recolhidos 706 kg de lixo pelo projeto “Fundo Limpo” (7), sendo que o total gerado pela cidade no período foi de 1800 toneladas (8). Apesar de apresentarem valores menores, o volume gerado nas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo também foram absurdos, chegando a pouco mais de 706 e 640 toneladas, respectivamente (9,10). Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a cada ano esses números aumentam em 40% (11). Muita coisa, não?!

Agora que você já sabe como cair na farra sem deixar a sustentabilidade de lado, é hora de caprichar nas fantasias e adereços e partir para a festa! Vale lembrar que atitudes sustentáveis como essas devem ser tomadas independentemente de ser carnaval, São João ou Natal… pratique a vida toda! Ah,  não esqueça de compartilhar esse texto com os seus amigos foliões e voltar pra nos contar quais dicas foram aderidas nesse carnaval!

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