A singularidade da Biotecnologia

Pode-se dizer que a biotecnologia é uma área singular: ao mesmo tempo que praticada há milênios na produção de bebidas fermentadas como o vinho, carrega a inovação como sobrenome nas indústrias atuais.

Seja por métodos tradicionais de obtenção de produtos biológicos, seja por técnicas revolucionárias adquiridas a partir da década de 70 com a tecnologia do DNA recombinante, muitas indústrias e investidores em capital de risco estão voltando-se cada vez mais para essa área do conhecimento.

E, por ter a multidisciplinaridade como fator importante na formação do profissional de nível técnico (biotecnólogo) ou superior (biotecnologista), a atuação da biotecnologia alcança diversos setores que vêm sendo divididos por um mecanismo de cores:

Da esquerda para a direita: vermelho (saúde, medicina e diagnóstico), azul (biotecnologia aquática, costeira e marinha), branco (processos industriais), roxo (patentes e invenções), castanho (zona árida e biotecnologia do deserto), ouro (bioinformática e nanobiotecnologia), cinza (tecnologia de fermentação clássica e bioprocessos), amarelo (biotecnologia alimentar e ciência nutricional), verde (biotecnologia ambiental, agricultura, biorremediação, biofertilizantes e geomicrobiologia), preto (bioterrorismo e biocrimes). Fonte (adaptado): DA SILVA, 2004.

Voltando-se para o Brasil, a biotecnologia tem se tornado uma área estratégica e angariado apoio de setores públicos como o Fundo Setorial de Biotecnologia (CT-Biotecnologia). O apoio de políticas na área reforça o potencial que existe no desenvolvimento de empreendimentos de biotecnologia, através da consolidação de empresas de base tecnológica.

Nesse sentido, diversos estudos vêm sendo realizados na tentativa de mapear as empresas de biotecnologia no Brasil e clarificar a real situação entre indústria e biotecnologia. Dentre os estudos, destacam-se as iniciativas da Fundação Biominas (2001, 2007 e 2009), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (2009) e mais recentemente o trabalho de Carlos Bianchi (2013) que explora a tentativa de montar o quebra-cabeça da indústria de biotecnologia no país.

O levantamento de Bianchi revelou que, do total de 338 empresas cadastradas conforme base de dados e metodologias usadas no estudo, 175 fazem parte da indústria de biotecnologia. Dentre essas, 92 são firmas dedicadas à biotecnologia (considerando também as empresas incubadas ou mesmo ligadas às pesquisas universitárias que se encaixavam na metodologia usada no estudo).

Além disso, Bianchi distribuiu as empresas conforme a área de atuação, obtendo-se:

Classificação das empresas conforme suas áreas de atuação, não excludentes entre si. Fonte: BIANCHI, 2013.

 

Dessa forma, é possível perceber que, embora tímidas, as empresas que envolvem biotecnologia no Brasil existem e abrangem vários setores, mostrando o potencial e a capacidade que o profissional da área tem em enfrentar diferentes desafios.

Isso reforça que a relação entre o mercado, a pesquisa e o Estado pode desbravar cada vez mais o desenvolvimento de produtos e serviços com base em sistemas biológicos ou partes desses: a singular biotecnologia.

Referências:

BIANCHI, Carlos. A Indústria Brasileira de Biotecnologia: montando o quebra-cabeça. Revista Economia & Tecnologia, v. 9, n. 2, 2013.

DASILVA, Edgar J. The colours of biotechnology: science, development and humankind. Electronic Journal of Biotechnology, v. 7, n. 3, p. 01-02, 2004.

FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS (FINEP). Diretrizes estratégicas para o Fundo Setorial de Biotecnologia, 2002. Disponível em:<https://www.finep.gov.br/images/a-finep/fontes-de-orcamento/fundos-setoriais/ct-bio/diretrizes-estrategicas-para-o-fundo-setorial-de-biotecnologia.pdf>. Acesso em: 09 jul. 2017.

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