10 coisas que aprendemos trabalhando com divulgação científica

A ciência é feita por pessoas e para pessoas. No entanto, o meio científico frequentemente se preocupa mais com a primeira parte – a ciência é feita por pessoas – e deixa de lado a segunda – a ciência é feita para pessoas.

Mesmo que na parte prática sempre se pense na possível aplicação e nos porquês das coisas serem feitas como são, ainda há uma lacuna importante: deve haver a divulgação do que é feito para quem realmente interessa, ou seja, a população. O Biotecnologista na sua bancada, na sua empresa, ou qualquer que seja a sua iniciativa, certamente está pensando nas pessoas enquanto desenvolve algo novo. Mas será que elas sabem disso?

A divulgação é um pilar essencial para a harmonia entre população e mundo científico. Aqui, no Profissão Biotec, nós fazemos divulgação científica com foco em diversos públicos. Ao longo de todo este tempo, e também nas trajetórias individuais de cada colaborador, foram acumuladas vivências ricas e muitos aprendizados. Para mostrar a você que a divulgação da ciência é essencial, preparamos uma lista com 10 coisas que nós aprendemos trabalhando com ela.

Nós aprendemos que:

  1. A divulgação da ciência, e mais especificamente da biotecnologia, é uma forma muito bacana e principalmente desafiadora de transmitir nossas ideias, envolvendo responsabilidade, embasamento e clareza bem diferentes do que estamos acostumados. É desafiador, pois existem ainda alguns mitos científicos a serem esclarecidos, como algumas crenças gerais baseadas em desinformação (tal qual “vacinas causam autismo” e coisas do tipo).
  2. Vivemos em uma bolha social, em que o conhecimento e a opinião sobre os avanços científicos não correspondem à opinião da maioria da população. Também aprendemos que romper essa bolha é maravilhoso!
  3. Às vezes, conseguimos atingir pessoas e dúvidas que nunca havíamos pensado, pois tudo parecia antes tão claro e óbvio para nós enquanto cientistas! A divulgação e as trocas nos abrem a mente para enxergarmos dúvidas e certezas que não veríamos se continuássemos fechados na nossa realidade.

  1. Se dispor a ficar em pé, em frente a uma turma de alunos de Ensino Médio repleta de dúvidas sobre a profissão biotecnologista e as suas áreas de atuação, também é um exercício de resgatar o nosso propósito. Quando menos se espera, vem aquela pergunta: “…e por que você escolheu biotecnologia?”, ou também esta: “Você pensou em desistir em algum momento?”. Ah, meu jovem… não é fácil, mas vale a pena!
  2. Quanto mais a gente produz textos, mais se dá conta da necessidade de escrever (bons materiais de) ciência em português.
  3. É imprescindível passar a informação de uma forma honesta (além de acessível). O público leigo confia nas informações que passamos enquanto cientistas e divulgadores de ciência, então temos um trabalho de muita responsabilidade. É péssima a divulgação científica sensacionalista e que peca por falta de rigor, porque acaba disseminando desinformação, então sempre precisamos ter muito cuidado e senso crítico para passar informações da forma correta.
  4. É preciso usar, na divulgação, uma linguagem mais acessível e menos técnica. Com isso, muitos ouvem dos seus pais, após lerem os textos do Profissão Biotec: “agora entendi o que você faz com biotecnologia”.
  5. É enorme a importância de desmistificar o que é feito dentro do laboratório, vendo que não adianta querermos que a população simplesmente aceite as novas tecnologias, enchendo-as de mistério e senso de sigilo e tornando isso algo assustador.
  6. Fazer uma divulgação de fácil acesso dá oportunidade para despertar o lado crítico e cientista de crianças/adolescentes/adultos.

  1. Além de tudo o que falamos acima, é muito gratificante detectar o momento em que as pessoas entendem o que fazemos e a curiosidade genuína surge!

Essas são as impressões e os principais aprendizados de uma parte do time de colunistas do Profissão Biotec. E você, já teve experiências semelhantes? O que aprendeu com isso?

Se você ainda não tinha despertado para a importância de levar do laboratório para as ruas o que você faz, o que leva de lição daqui? Está empolgado para começar a divulgar o que faz? A biotecnologia conta com você para promover uma ciência mais plural!

Texto colaborativo. Contém os aprendizados de: Natália Videira, Jéssica Scherer, Caroline Salvati, Elaine Latocheski, Douglas Vieira, Marcelo Ferreira e os da autora.

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