Amamentar é uma tarefa difícil, e a falta de conhecimento contribui de forma negativa. A disseminação de mitos sem comprovações científicas são frequentes.

Amamentar um bebê pode ser difícil, mas as consequências são benéficas para a criança e para a mãe. A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma das grandes estimuladoras para que os bebês sejam amamentados. Isso ocorre, pois estudos comprovam a influência direta do aleitamento na saúde do bebê e, essa influência pode ser tão forte que perdura até a idade adulta. Por isso, é recomendado o aleitamento exclusivo até os 6 meses de vida, pois o leite materno comumente supre todas as necessidades do bebê. Em situações específicas a amamentação pode não ser recomendada.

A amamentação é benéfica para a saúde do bebê, pois através dela ocorre a nutrição e o fortalecimento do sistema imunológico dele. Os primeiros meses de vida são os mais críticos, pois o sistema imune ainda é imaturo, assim, qualquer infecção pode significar um sério risco para o bebê. Através da amamentação há transferência de anticorpos da mãe para a criança, protegendo-a. Nos primeiros dias após o nascimento ocorre a  produção de um leite denominado colostro que é rico em nutrientes e compostos imunes para proteger e auxiliar a maturação do sistema imunológico.

Apesar da amamentação ser indicada por organizações mundiais e médicos, ainda existe uma série de falsas informações sendo disseminadas, e elas acabam contribuindo para menor adesão das mães à amamentação. Por isso, para celebrar o Agosto Dourado, o mês de incentivo a amamentação, o Profissão Biotec reúne alguns dos principais mitos relacionados à amamentação.

1- Mito: amamentar é sempre um processo doloroso

Ocorrer desconforto durante a amamentação nos primeiros dias é comum, pois a mãe está aprendendo a amamentar, assim como o bebê a mamar. No entanto, o incômodo durante a amamentação pode ser evitado com medidas como checar se a criança está em boa posição para sugar. O indicado é que o bebê esteja preso corretamente ao seio para que a sucção não cause dor. Para isso, seria interessante que houvesse acompanhamento e que as mães, principalmente as de primeira viagem, fossem ensinadas a como posicionar o bebê da melhor forma para uma amamentação mais eficiente e com menores chances de causar dores.

2 – Mito: lactante deve comer apenas comida caseira

Comidas em cima de uma mesa
Alimentar-se bem é benéfico para a saúde de todos. Fonte: rawpixel. #ParaTodosVerem: grande variedade de frutas e vegetais sobre uma mesa, assim como um pouco de salmão na tigela do meio.

O fato de uma pessoa ser lactante, não significa  que ela deva comer apenas comida caseira, sem muitos condimentos e conservantes. Esse tipo de alimentação é saudável para qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, mas não é obrigatória durante a amamentação. A mulher pode continuar comendo normalmente a não ser que o bebê apresente reações a determinados alimentos que a mãe consome. O que a mãe consome é passado para o leite, logo, o bebê também irá ingerir. No entanto, nós somos diferentes e cada um pode responder de forma distinta ao consumo de um alimento, nos bebês isso pode se manifestar com  reações alérgicas, insônia, gases ou diarreia, por exemplo. Dessa forma é importante observar se algum alimento está causando reação incomum no bebê e sempre seguir os conselhos de médicos e especialistas que acompanham o desenvolvimento da criança.

3 – Mito: atividade física vai afetar o sabor do leite

Pessoal de alongando
A realização de atividade física é benéfica para a saúde do indivíduo. Fonte: rawpixel. #ParaTodosVerem: mulher realizando alongamento sobre um tapete de yoga vermelho.

Não há evidência que comprove relação entre exercício físico e alterações no sabor do leite. Porém, existem evidências de que a realização de atividade física é um hábito saudável para a vida. Sendo assim, não há motivos para que a prática de exercícios seja um malefício para a lactante ou o bebê.

4 – Mito: muitas mães não produzem leite suficiente

A quantidade de leite produzida pela mãe varia de acordo com a amamentação do bebê, bem como suas necessidades. No caso de um bebê que mama muitas vezes ao dia, a mãe tende a produzir leite para alimentá-lo e na quantidade que normalmente ele consome. 

O que se sabe é que a ingestão de leite humano é importante pois ele contém os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável do bebê até os 6 meses de idade, assim como, são transferidos anticorpos da mãe à criança durante todo o período de aleitamento. Após esse período, ainda é recomendada a manutenção do aleitamento pois esse contribui para reduzir o risco de doenças crônicas, como a obesidade, na infância e na vida adulta.  Isso não é reproduzido pelo consumo de leite artificial, tornando o leite materno importante para a saúde do bebê.

O que muitas vezes ocorre é a insegurança das mães em não estarem produzindo leite suficiente, ou dele não estar suprindo as necessidades do bebê. Em cima desse medo, empresas produtoras de fórmulas de leite vendem a falsa ideia (não há comprovação científica) que o leite deles vai reduzir alergias, controlar cólicas e aumentar a noite de sono do bebê. Existem alguns casos em que a fórmula é mais indicada para o bebê. Cada situação é única, por isso é necessário ter acompanhamento médico para realização de mudanças. As fórmulas não são vilãs, mas, na maioria dos casos, o leite materno é mais indicado pelos diversos benefícios que pode trazer a curto e longo prazo.

5 – Mito (em partes): não se deve amamentar se estiver doente

Mulher gripada
Adoecer é um processo normal para os indivíduos e, com isso, o corpo produz mecanismos de defesa para eliminar os patógenos. Com a amamentação, esses mecanismos são transferidos para o bebê. Fonte: rawpixel

#ParaTodosVerem: mulher deitada na cama com camisa de frio xadrez assoando o nariz em um lenço de papel. Sobre a coberta é possível observar alguns lenços utilizados, bem como, sobre a cama uma caixa de lenços de papel.

Esse é um mito um pouco mais delicado, pois nem sempre é um mito. Boa parte das doenças não impedem a amamentação e podem contribuir para a formação do sistema imune da criança. No entanto, para isso, é necessário ter acompanhamento médico, a fim de  realizar tratamento adequado. Além disso, durante a recuperação  da maioria das doenças é essencial descansar, comer bem e beber bastante água. Outras doenças, assim como o uso de medicamentos pela mãe, podem impedir a amamentação. No entanto, antes de suspender o aleitamento, é sempre bom confirmar com um médico se isso é realmente necessário.

6 – Mito (em partes): não pode tomar nenhuma medicação enquanto estiver amamentando

Essa afirmação é falsa em muitos casos, mas não todos. É necessário ter mais atenção com o consumo de remédios durante a amamentação. É de extrema importância que o uso de medicamentos seja realizado seguindo as orientações médicas. Usar medicamentos durante a amamentação não é proibido, no entanto, tem de ser feito de forma consciente e informada.

7 – Mito: desmamar após um ano é mais difícil

Não há informações na literatura que comprovem a veracidade dessa afirmação. No entanto, estudos indicam que é benéfico para a criança ser amamentada até pelo menos os dois anos. Isso porque tempos mais prolongados de amamentação influenciam diretamente na saúde do indivíduo, da infância à vida adulta. 

Estudos indicam que a amamentação prolongada (aquela que permanece após os 2 anos de vida) é benéfica para a saúde materna, com redução dos riscos de câncer de mama e ovário, além de trazer benefícios para o bebê, como redução da incidência de doenças respiratórias e alergias, obesidade, hipertensão e diabetes.

Os mitos criados em torno da amamentação parecem estar ligados diretamente aos medos. Amamentar com certeza não é uma tarefa fácil, mas ainda é a melhor forma de garantir saúde para a criança, e para a mãe, a curto e longo prazo. Dissemine a importância da amamentação para que cada vez mais tenhamos crianças saudáveis.

Texto baseado nos 14 mitos sobre amamentação, disponibilizado pela UNICEF.

perfil Natalia Lopes
Texto revisado por Jennifer Medrades e Ísis V. Biembengut

Cite este artigo:
LOPES, N. R. 7 Mitos e verdades sobre aleitamento materno. Revista Blog do Profissão Biotec. V. 10, 2023. Disponível: <https://profissaobiotec.com.br/7-mitos-verdades-sobre-aleitamento-materno/>. Acesso em: dd/mm/aaaa.

Referências

PALMEIRA, P.; CARNEIRO-SAMPAIO, M. Immunology of breast milk. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 62, n. 6, p. 584–593, set. 2016.
PÉREZ-ESCAMILLA, R. et al. Breastfeeding: crucially important, but increasingly challenged in a market-driven world. The Lancet, v. 401, n. 10375, p. 472–485, fev. 2023. 
UNICEF. Busted: 14 myths about breastfeeding. Unicef for every child (parenting). Disponível em: <https://www.unicef.org/parenting/food-nutrition/14-myths-about-breastfeeding>. Acesso em: maio de 2023.
WHO. Breastfeeding. World Health Organization. Disponível em: <https://www.who.int/health-topics/breastfeeding#tab=tab_2>. Acesso em: maio de 2023.
Fonte da imagem destacada: Pixabay.

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