Na semana do carnaval, foram divulgados os resultados de um estudo em que cientistas da Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences (Alemanha) e do Instituto D’OR de Pesquisa e Educação (Rio de Janeiro) buscaram entender porque as batidas do samba estimulam emoções mais intensas e ativam as áreas cerebrais ligadas ao ritmo e movimento.
Os cientistas queriam saber porque o samba é tão contagiante e estimula essa
vontade (quase irresistível) de dançar. Para isso, o estudo foi realizado com a
participação de percursionistas de uma escola de samba do Rio de Janeiro, que
gravaram quatro versões do samba, com diferentes interações entre os
instrumentos. Um grupo de voluntários, brasileiros e que gostam do ritmo,
participou dos experimentos ouvindo as diferentes versões do samba. Foram
avaliados o quanto a música estimulava a vontade de dançar e também a atividade
cerebral, por meio de ressonância magnética.
Os cientistas observaram que as batidas mais precisas, e com maior sincronicidade, ativaram regiões cerebrais envolvidas no controle do movimento e percepção do ritmo, o que estimularia o desejo de se movimentar. Além disso, também foi observada nos participantes um aumento na atividade cerebral de regiões relacionadas ao vínculo social, identificação de grupo e mediação emoções positivas.
Esses resultados indicam que o samba poderia ser usado nos casos de neurorreabilitação de pacientes com doenças neurológicas ou que sofreram acidente vascular cerebral, auxiliando esses pacientes a reaprender os movimentos e melhorar a atenção e as funções cognitivas. Segundo os cientistas, essas características do samba também poderiam ser encontradas em outros estilos musicais ou outras culturas, e mais análises precisam ser realizadas. O estudo foi publicado na revista Frontiers of Neuroscience.
Fonte: Max Planck Institute for Human Cognitive and Brain Sciences