A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, até o último sábado (21/05), 94 casos da varíola de macacos espalhados em 15 países (como Reino Unido, Espanha, Portugal, Alemanha, Bélgica, França, Itália, EUA, Canadá, Austrália, entre outros). Além dos casos confirmados, há também outros 28 casos suspeitos. Novas notificações são esperadas nas próximas semanas. A OMS convocou uma reunião de emergência para discutir essa rápida disseminação da doença.
O Profissão Biotec traz um resumo do que a ciência sabe até agora.
Que vírus é esse?
A varíola dos macacos é causada pelo vírus da família Poxviridae, o mesmo causador da varíola humana, e endêmico em regiões da África Ocidental e Central. A doença é originalmente de roedores mas recebeu esse nome porque foi inicialmente identificada em macacos mantidos em cativeiro.
É transmitida pelo contato próximo com a pessoa infectada (contato com as lesões da pele, pelo sistema respiratório, olhos, nariz, boca ou objetos compartilhados). O vírus apresenta duas cepas: a cepa do Congo (de maior letalidade, em torno de 10%) e a da África Ocidental (com menor letalidade, por volta de 1%). O surto atual é provocado pela cepa com menor letalidade.
A transmissão pode ser evitada com medidas básicas de higiene e isolamento dos infectados por períodos de 14 a 21 dias.
Quais são os principais sintomas?
Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dor musculares, inflamações nos nódulos linfáticos e calafrios. Podem surgir coceira, principalmente nas mãos e solas dos pés, com surgimento de lesões, que podem deixar marcas e manchas na pele.
A doença geralmente se manifesta de maneira leve, e em 2 ou 3 semanas o paciente se recupera.
Existe vacina ou tratamento para a varíola de macacos?
Como os vírus da varíola humana e de macaco pertencem à mesma família, a mesma vacina pode ser utilizada para ambas as doenças. Pessoas imunizadas contra varíola humana já teriam alguma proteção contra varíola de macacos. Contudo, desde a década de 1980, quando a varíola foi considerada erradicada, essa vacina não é mais aplicada na população, e portanto a proteção coletiva deve ser baixa.
Além disso, dois novos medicamentos contra a varíola foram aprovados nos EUA recentemente (em 2019 e 2021), e também poderiam ser usados em casos de surto da doença.
Porque ele está se espalhando tão rápido?
A doença afeta os países africanos há décadas, mas o que intriga é que em poucos dias, diversos casos foram confirmados em diferentes países, em indivíduos que não haviam viajado para regiões endêmicas da doença, como África Ocidental e Central.
Os cientistas ainda não sabem como o vírus está se espalhando tão rapidamente. Uma hipótese é que ele tenha sofrido alguma mutação que facilite a sua transmissão entre pessoas. Outra hipótese é de que o contágio esteja acontecendo por meio do contato sexual, como uma infecção sexualmente transmissível. Estudos indicam que o vírus também poderia ser transmitido pelo ar, assim como a varíola humana. Mas essas são apenas hipóteses que ainda precisam ser comprovadas.
Devemos nos preocupar?
Considerando que a doença está se espalhando rapidamente pelos países, é esperado que ela chegue ao Brasil em breve. Os cientistas afirmam que, por enquanto, manter os hábitos de higiene e ficar atento aos sintomas são as medidas mais indicadas. E, assim como aprendemos com a COVID-19, diante de algum sintoma da varíola de macacos, procure orientação médica e faça o isolamento social.
Uma entrevista concedida pela virologista Clarissa Damaso, membro do Comitê Assessor para a Pesquisa da Varíola da OMS, esclarece outras dúvidas sobre a varíola de macacos.
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