Errar faz parte do dia a dia de quem trabalha com ciência. Estudantes e pesquisadores enfrentam com frequência a frustração de hipóteses que não se confirmam, experimentos que falham ou ainda resultados inesperados. Por isso, o Profissão Biotec decidiu trazer um compilado de revistas que aceitam resultados não tradicionais!
Primeiro, é fundamental lembrar que o erro não é sinônimo de fracasso ou de falta de tentativas, e sim parte de todo o processo científico. Na verdade, a ciência avança justamente porque pessoas se dispõem a testar ideias, muitas vezes errando no caminho. Assim, ao lidar com falhas, é importante saber que você não está sozinho: até os cientistas mais brilhantes já enfrentaram contratempos!
Por um lado, os resultados negativos podem abrir caminhos alternativos e levar a descobertas inesperadas. Na biotecnologia, já tivemos exemplos marcantes disso.
O caso mais famoso é o desenvolvimento do antibiótico penicilina que ocorreu a partir de uma contaminação no experimento! Alexander Fleming notou que o crescimento de bactérias numa placa foi inibida pela presença de um fungo contaminante. Isso levou-o a descobrir qual era aquele fungo que impedia o crescimento bacteriano e, posteriormente, foi possível desenvolver o primeiro antibiótico.
Outro exemplo é a descoberta das enzimas de restrição, usadas para clivagem de DNA em engenharia genética, que surgiram a partir de observações não planejadas em estudos sobre como bactérias defendem-se de vírus invasores. Tais “erros”, ou melhor, achados inesperados, são lembretes de que, na ciência, os desvios podem ser frutíferos.
Por outro lado, os erros trazem conhecimentos extremamente importantes, mesmo quando não resultam numa descoberta alternativa. Isso porque eles fornecem informações sobre quais abordagens e hipóteses não são promissoras, permitindo que outros cientistas evitem investir esforços (tempo, dinheiro e saúde mental!) em ideias já testadas e refutadas.
No entanto, infelizmente, essa parte do processo científico ainda é subvalorizada. As publicações em revistas científicas dão prioridade a resultados bem-sucedidos, enquanto erros ou hipóteses rejeitadas permanecem ocultos e raramente são publicados. Se esses resultados negativos fossem, de fato, mais divulgados, as redundâncias de hipóteses seriam reduzidas, e isso também evitaria a frustração de diversos pesquisadores.
É muito comum na ciência que o sucesso de um pesquisador seja medido pela sua quantidade de publicações, o que gera uma enorme pressão para apresentação apenas de resultados positivos e “publicáveis”. A sensação de que erros significam fracasso pode levar a frustrações, ansiedade e até síndrome de impostor, especialmente para quem está começando a carreira científica.
É interessante repensarmos essa cultura. O melhor caminho seria valorizar todo o processo, inclusive os “erros”, como parte legítima e necessária do desenvolvimento científico, pois eles são!
Tendo isso em vista, o Profissão Biotec trouxe 5 revistas que aceitam resultados negativos para publicação em áreas da biotecnologia!
Essa revista aceita artigos nas áreas de Química, Biologia, Nanotecnologia e Física que têm resultados negativos.
Permite a publicação de resultados negativos, neutros e não positivos em pesquisas nas áreas de ciências da vida e ciências naturais, com foco em saúde humana.
Nesta revista são aceitos resultados negativos e positivos em pesquisas de ciências farmacêuticas. São aceitos trabalhos como artigos tradicionais, metodologias desenvolvidas, artigos prioritários (o caso será avaliado), comunicação preliminar ou breve e comentários.
O foco dessa revista são conteúdos como artigos e short notes (estudos com dados importantes, mas sem poder estatístico) no campo de ecologia e biologia evolutiva.
Essa revista publica resultados tanto positivos quanto negativos de artigos em áreas variadas, como ciências naturais, engenharia e tecnologia, ciências agrárias, veterinária e saúde humana.
O erro científico, embora muitas vezes frustrante, é uma peça fundamental no avanço da ciência. Ele abre caminhos para novas descobertas, e também contribui para o conhecimento coletivo ao divulgar hipóteses refutadas. Não é porque o resultado do trabalho é incompatível com a hipótese que ele é nulo, pois todo erro nos faz aprender algo.
Além disso, é importante ressaltar que muitas vezes uma hipótese refutada não necessariamente vem de um erro do pesquisador. O profissional pode ter seguido metodologias adequadas para testar a hipótese, mas o que se esperava não é validado e o resultado negativo pode indicar que realmente o esperado não acontece biologicamente dentro daquela abordagem.
Ao valorizarmos os erros e compartilharmos esses aprendizados, criamos uma ciência mais transparente e colaborativa. Afinal, é aprendendo com os erros que construímos as bases para inovações!

Cite este artigo:
ROCHA, V. S. Onde publicar resultados negativos e não-positivos? Revista Blog do Profissão Biotec, v. 12, 2025. Disponível em: <https://profissaobiotec.com.br/onde-publicar-resultados-negativos-e-nao-positivos/>. Acesso em: dd/mm/aaaa.
Referências
O’HARA, B. Negative results are published. Nature, v. 471, n. 7339, p. 448–449, mar. 2011.